Religião nórdica pré-cristã
Vidar
Víðarr · Víðarr
O silencioso que vinga o pai e sobrevive ao fim do mundo
Filho de Odin com uma giganta, quase sem falas nas fontes, destinado a matar Fenrir e a habitar o mundo renovado.
- Vingança e retribuição
- Destino
- Natureza selvagem
- Proteção e vigilância
Domínios e funções
Víðarr existe para um único ato, e as fontes o apresentam quase inteiramente em função dele. Snorri diz que é o mais forte depois de Thor e que os deuses contam com ele nas dificuldades.
Seu silêncio não é passividade: em vários sistemas narrativos antigos, a vingança exige que quem a executará não anuncie nada de antemão.
Epítetos e nomes cultuais
- Inn þögli áss — o deus silencioso
- Hinn þögli — o calado
Genealogia e relações familiares
- Ascendência
- Odin e a giganta Gríðr
- Irmãos
- Thor, Balder, Höðr e Váli, por parte de pai
- Vínculos conjugais
- Não registrados
- Descendência
- Não registrados
- Posição na sucessão divina
- Segunda geração dos Æsir; entre os que sobrevivem ao Ragnarök
A mãe, Gríðr, é a mesma giganta que empresta a Thor o cinto, o cajado e as luvas de ferro numa de suas viagens, um dos raros casos de auxílio gigante aos deuses.
Com Odin, a relação é definida pela vingança: ele é gerado, segundo a leitura mais comum, precisamente para cumprir esse papel.
Símbolos e objetos associados
Símbolos
Objetos nomeados
- Sapato grosso — feito com todas as sobras de couro que os homens descartam ao talhar calçados
- Landvíði — sua morada, descrita como coberta de mato alto e arbustos
Principais narrativas
-
A morte de Fenrir
Depois que o lobo devora Odin, Víðarr apoia o sapato reforçado na mandíbula inferior do animal, segura a superior e o rasga.
Völuspá, estrofe 55, e Gylfaginning, 51
-
A terra renovada
Entre os que retornam à planície onde ficava Asgard estão Víðarr e Váli, poupados pelo fogo e pelo mar.
Vafþrúðnismál, estrofe 51, e Gylfaginning, 53
Culto e evidência histórica
- Área de culto documentada
- Culto não documentado
- Janela de registro
- poesia éddica e escultura em pedra do século X
Não há evidência de culto. A cruz de Gosforth, na Cumbria inglesa, do século X, traz uma cena em que uma figura força a mandíbula de um animal com o pé, habitualmente interpretada como este episódio. Se a leitura estiver correta, é testemunho de que a tradição circulava três séculos antes dos manuscritos islandeses.
Fontes históricas
- Völuspá e Vafþrúðnismál, Edda Poética
- Edda em Prosa, Snorri Sturluson, Gylfaginning, 29 e 51
- Cruz de Gosforth, Cumbria, século X
Cautelas de leitura
Quase tudo o que se pode dizer sobre Víðarr diz respeito ao futuro narrado, não a episódios passados. Interpretações que o transformam em divindade da floresta ou da natureza apoiam-se sobretudo na descrição de sua morada e devem ser tratadas como hipóteses.