Religião nórdica pré-cristã

Odin

Óðinn · Óðinn

Buscador de saber, senhor da poesia, da magia e dos mortos escolhidos

Figura principal dos Æsir nas fontes islandesas, associada ao conhecimento obtido por sacrifício, à poesia, à magia e à escolha dos que morrem em combate.

  • Sabedoria e conselho
  • Poesia e inspiração
  • Magia e conhecimento oculto
  • Guerra e combate
  • Morte e mundo dos mortos
  • Soberania e realeza
  • Êxtase e transgressão ritual
  • Destino

Domínios e funções

  • Sabedoria obtida por meio de perda e sacrifício
  • Poesia e a linguagem da poesia
  • Magia, runas e feitiço (seiðr e galdr)
  • Guerra e escolha dos mortos em combate
  • Realeza e linhagens dinásticas
  • Furor e estados alterados de consciência

Odin é definido pela busca de conhecimento a qualquer custo. Entrega um olho para beber da fonte de Mímir, pendura-se numa árvore por nove noites ferido pela própria lança para apanhar as runas, e interroga mortos e gigantes para saber o que virá.

Sua relação com a guerra não é a do combatente: ele escolhe quem morre e reúne guerreiros em Valhalla, não por lealdade a eles, mas porque precisará desse exército no Ragnarök. Várias fontes registram desconfiança em relação a ele, inclusive entre seus próprios seguidores.

Epítetos e nomes cultuais

  • Alföðr — pai de todos
  • Grímnir — o encapuzado
  • Hárbarðr — barba grisalha
  • Vegtamr — acostumado ao caminho
  • Bölverkr — obreiro do mal
  • Yggr — o terrível

Genealogia e relações familiares

Ascendência
Borr e a giganta Bestla
Irmãos
Vili e Vé
Vínculos conjugais
Frigg; uniões com Jörð, Gríðr e Rindr
Descendência
Thor, Balder, Höðr, Víðarr, Váli e Bragi, conforme a fonte
Posição na sucessão divina
Primeira geração dos Æsir; participa da formação do mundo a partir do corpo de Ymir

Com Frigg forma o único casal soberano estável das fontes, e a morte de Balder atinge os dois de maneira distinta: ela tenta impedir, ele procura saber de antemão.

A relação com Loki é declarada como irmandade de sangue na Lokasenna, o que explica por que o grupo dos Æsir tolera por tanto tempo alguém cujos filhos são justamente os agentes do fim do mundo.

Símbolos e objetos associados

Símbolos

  • Corvo
  • Lobo
  • Lança
  • Olho único
  • Valknut
  • Enforcado

Objetos nomeados

  • Gungnir — lança feita pelos anões; lançada sobre um exército, consagra os mortos ao deus
  • Draupnir — anel de ouro que a cada nove noites gera outros oito de igual peso
  • Sleipnir — cavalo de oito patas, filho de Loki, capaz de percorrer todos os mundos
  • Hliðskjálf — assento elevado do qual se enxerga tudo o que acontece nos nove mundos
  • Huginn e Muninn — corvos que percorrem o mundo diariamente e relatam o que viram

Animais associados

  • Corvo
  • Lobo
  • Cavalo
  • Águia

Principais narrativas

  1. O olho na fonte de Mímir

    Para beber da fonte que dá conhecimento, Odin deixa um olho como penhor. A vidente da Völuspá diz saber exatamente onde ele está escondido.

    Völuspá, estrofes 28-29, e Snorri Sturluson, Edda em Prosa, Gylfaginning, 15

  2. Nove noites na árvore

    Ferido por uma lança e oferecido a si mesmo, Odin permanece nove noites pendurado na árvore batida pelo vento, sem comida nem bebida, até apanhar as runas gritando.

    Hávamál, estrofes 138-141

  3. O hidromel da poesia

    Sob disfarce e falso nome, Odin trabalha para um gigante, seduz sua filha e obtém os três caldeirões do hidromel que concede a arte poética, escapando em forma de águia.

    Snorri Sturluson, Edda em Prosa, Skáldskaparmál, 5-6

  4. O fim diante de Fenrir

    No Ragnarök, Odin avança contra o lobo e é engolido. Víðarr, seu filho, vinga-o em seguida rasgando a mandíbula do animal.

    Völuspá, estrofes 53-55, e Gylfaginning, 51

Culto e evidência histórica

Área de culto documentada
Escandinávia e áreas de assentamento nórdico, com destaque para Uppsala e a Dinamarca
Janela de registro
poesia escáldica do século IX em diante e manuscritos islandeses dos séculos XIII e XIV

Adam de Bremen, escrevendo por volta de 1070, descreve um templo em Uppsala com imagens de três divindades, entre elas "Wodan". Tácito, mil anos antes, afirma que os germanos honram sobretudo Mercúrio, identificação que a maioria dos estudiosos entende referir-se a uma figura ancestral de Odin. Topônimos como Odense e Onsala, além de amuletos e pedras figurativas, indicam culto amplo mas desigual entre regiões.

Fontes históricas

  • Edda Poética (Völuspá, Hávamál, Grímnismál, Vafþrúðnismál), Codex Regius, século XIII Conjunto de poemas anônimos, base de quase tudo o que se sabe sobre a figura.
  • Edda em Prosa, Snorri Sturluson, Gylfaginning e Skáldskaparmál Sistematização do século XIII, feita por um cristão para ensinar poesia.
  • Heimskringla, Saga dos Inglingos, Snorri Sturluson, cap. 2-7 Apresenta Odin como rei humano divinizado, leitura euemerista da tradição.
  • Germânia, Tácito, cap. 9 Testemunho romano do século I sobre cultos germânicos, por interpretação romana.
  • Gesta Hammaburgensis Ecclesiae Pontificum, Adam de Bremen, livro IV Descrição do templo de Uppsala; fonte cristã e hostil, usada com reservas.

Cautelas de leitura

A posição de Odin como divindade principal reflete em boa medida as fontes que sobreviveram: poesia de corte, produzida em ambientes aristocráticos onde ele era o deus dos reis e dos poetas. A distribuição de topônimos sugere que, em várias regiões, Thor ou Freyr tinham presença cotidiana muito maior. O material foi ainda organizado por Snorri Sturluson, cristão do século XIII, com finalidade didática.