Religião nórdica pré-cristã
Loki
Loki · Loki
Figura ambígua que cria e resolve as crises dos deuses
Companheiro e adversário dos Æsir, de origem gigante, responsável tanto pelos maiores tesouros divinos quanto pelo desencadeamento do fim do mundo.
- Astúcia e engano
- Magia e conhecimento oculto
- Destino
Domínios e funções
Loki não tem domínio no sentido em que outras figuras têm. Sua função nas narrativas é motora: ele provoca o problema e, obrigado pelos deuses, encontra a saída. Praticamente todos os objetos que definem o panteão existem porque ele causou um dano que precisou reparar.
A trajetória é descendente. Nas histórias mais antigas ele é um companheiro problemático; depois causa a morte de Balder; por fim é acorrentado e, no Ragnarök, conduz o exército que ataca os deuses.
Epítetos e nomes cultuais
- Laufeyjarson — filho de Laufey, matronímico incomum
- Loptr — o aéreo
- Hveðrungr — epíteto ligado ao rugido
- Inn slægi áss — o deus astuto
Genealogia e relações familiares
- Ascendência
- O gigante Fárbauti e Laufey, também chamada Nál
- Irmãos
- Býleistr e Helblindi
- Vínculos conjugais
- Sigyn; união anterior com a giganta Angrboða
- Descendência
- Narfi e Váli, com Sigyn; Fenrir, Jörmungandr e Hel, com Angrboða; Sleipnir, gerado por ele em forma de égua
- Posição na sucessão divina
- De origem gigante, vive entre os Æsir por irmandade jurada com Odin
Os três filhos com Angrboða são exatamente as forças que destroem o mundo: o lobo que mata Odin, a serpente que mata Thor e a soberana do reino dos mortos. As fontes tratam essa descendência como o verdadeiro motivo do isolamento progressivo de Loki.
Sigyn permanece ao lado dele durante o castigo, segurando uma bacia para conter o veneno da serpente. É a única imagem de lealdade que a tradição lhe concede.
Símbolos e objetos associados
Símbolos
Objetos nomeados
- Rede de pesca — segundo Snorri, invenção dele, e é com ela que acaba capturado
- Sapatos de viagem — permitem correr sobre o ar e sobre a água
Animais associados
Principais narrativas
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Os tesouros dos anões
Após cortar o cabelo de Sif por pilhéria, Loki é obrigado a repará-lo. Da disputa que promove entre dois grupos de anões saem Mjölnir, Gungnir, Draupnir, Skíðblaðnir e Gullinbursti.
Snorri Sturluson, Skáldskaparmál, 35
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A muralha e o cavalo
Para evitar que um construtor gigante receba Freyja, o Sol e a Lua como pagamento, Loki se transforma em égua e atrai o cavalo do construtor. Do episódio nasce Sleipnir.
Gylfaginning, 42
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A morte de Balder
Descoberto que apenas o visco não jurara poupar Balder, Loki o entrega ao cego Höðr e guia seu braço. Depois, em forma de giganta, recusa-se a chorar pelo morto.
Gylfaginning, 49
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O castigo
Capturado após insultar os deuses em banquete, Loki é amarrado com as entranhas do próprio filho sob uma serpente que goteja veneno sobre seu rosto.
Lokasenna, prosa final, e Gylfaginning, 50
Culto e evidência histórica
- Área de culto documentada
- Nenhum culto documentado: não há topônimos, nomes pessoais nem oferendas atribuíveis a ele
- Janela de registro
- poesia éddica e escáldica, com sistematização no século XIII
A ausência completa de evidência cultual é um dado relevante. Ao contrário de Thor, Freyr ou Odin, Loki não aparece em nomes de lugares nem de pessoas, não recebe oferendas conhecidas e não figura em fórmulas de juramento. Isso levou parte dos estudiosos a considerá-lo uma figura sobretudo narrativa, cuja função é literária antes de ser religiosa.
Fontes históricas
- Lokasenna, Edda Poética, texto integral
- Edda em Prosa, Snorri Sturluson, Gylfaginning 42, 49-50; Skáldskaparmál 35
- Völuspá, estrofes 35 e 51
- Pedra de Snaptun, Dinamarca, século X
Cautelas de leitura
Descrever Loki como "deus do caos" ou como equivalente de figuras diabólicas é leitura posterior, influenciada pela moldura cristã de Snorri e pela ficção moderna. Nas fontes ele não é adorado, não governa domínio algum e sua condição entre os Æsir depende de um pacto pessoal com Odin, não de nascimento.