Religião nórdica pré-cristã

Hel

Hel · Hel

Soberana do reino que recebe os que não morrem em combate

Filha de Loki encarregada do mundo dos mortos por doença e velhice, descrita com metade do corpo de cor viva e metade escura.

  • Morte e mundo dos mortos
  • Soberania e realeza
  • Destino

Domínios e funções

  • Governo do reino dos mortos comuns
  • Recepção dos que morrem de doença ou velhice
  • Limite entre vivos e mortos

Hel administra um domínio e cumpre regras, inclusive diante dos deuses: quando Hermóðr vai pedir a devolução de Balder, ela não recusa por hostilidade, mas impõe uma condição verificável. Não é uma figura punitiva nem julga os mortos.

Snorri descreve seu salão e seus objetos com nomes que são palavras comuns transformadas em substantivos próprios: fome, inanição, precipício. Esse procedimento sugere elaboração literária sobre um núcleo mais simples.

Epítetos e nomes cultuais

  • Hel — o nome designa tanto a figura quanto o lugar
  • Leikn — associação discutida em poesia escáldica

Genealogia e relações familiares

Ascendência
Loki e a giganta Angrboða
Irmãos
Fenrir e Jörmungandr
Vínculos conjugais
Não registrados
Descendência
Não registrados
Posição na sucessão divina
Lançada por Odin ao mundo inferior, onde recebe autoridade sobre nove regiões

Seus irmãos completam a tríade de descendentes de Loki que os deuses tentam neutralizar: o lobo é acorrentado, a serpente é lançada ao mar e ela é enviada para baixo.

A relação com Balder é a única interação narrada com outra divindade, e nela Hel aparece como autoridade que negocia em posição de igualdade com os enviados de Odin.

Símbolos e objetos associados

Símbolos

  • Metade clara e metade escura
  • Portão
  • Cão de guarda

Objetos nomeados

  • Éljúðnir — seu salão, cujo nome sugere exposição às intempéries
  • Prato e faca — chamados Fome e Inanição na descrição de Snorri

Animais associados

  • Cão

Principais narrativas

  1. A distribuição dos filhos de Loki

    Sabendo da profecia, Odin lança a serpente ao mar, acorrenta o lobo e envia Hel a Niflheim, dando-lhe autoridade sobre nove mundos.

    Gylfaginning, 34

  2. A condição imposta a Hermóðr

    Diante do pedido de devolver Balder, Hel responde que só o fará se todas as coisas do mundo chorarem por ele, provando que é de fato amado por todos.

    Gylfaginning, 49

Culto e evidência histórica

Área de culto documentada
Nenhum culto documentado
Janela de registro
poesia éddica e sistematização do século XIII

Não há vestígio de culto. A palavra hel designa primeiro o lugar dos mortos e aparece em compostos e expressões correntes; a personificação como figura feminina é sobretudo conhecida por Snorri, e parte dos estudiosos considera que ele desenvolveu literariamente um conceito que era, na origem, topográfico.

Fontes históricas

  • Edda em Prosa, Snorri Sturluson, Gylfaginning, 34 e 49 Descrição física, domínio e negociação por Balder.
  • Baldrs draumar, estrofes 1-5 Descrição do caminho e da preparação do salão para receber Balder.
  • Völuspá, estrofes 38-39 e 43 Imagens do mundo inferior e de seus habitantes.
  • Gesta Danorum, Saxo Grammaticus, livro III Aparição de uma figura feminina anunciadora de morte, de identificação discutida.

Cautelas de leitura

O reino de Hel não corresponde a um inferno de punição: nas fontes não há tormento por culpa moral, e para lá vão os que morrem de causas comuns, independentemente de conduta. A semelhança sonora com a palavra inglesa para inferno é de fato um parentesco linguístico, mas os conceitos religiosos são distintos.