Religião nórdica pré-cristã

Bragi

Bragi · Bragi

Patrono da poesia e da palavra bem construída

Divindade associada à arte poética e à eloquência, esposo de Idunn e figura de destaque nos banquetes dos Æsir.

  • Poesia e inspiração
  • Sabedoria e conselho

Domínios e funções

  • Poesia escáldica e composição versificada
  • Eloquência e discurso formal
  • Recepção e etiqueta nos banquetes

Bragi personifica a arte poética como técnica: a palavra bragr, em nórdico antigo, designa tanto poesia quanto excelência.

Nas cenas de banquete, é ele quem recebe os recém-chegados e explica o funcionamento das coisas, função que Snorri aproveita ao fazê-lo narrar boa parte das histórias reunidas no Skáldskaparmál.

Epítetos e nomes cultuais

  • Bragi inn gamli — Bragi o velho, quando se refere ao poeta histórico
  • Langbarðr — barba longa

Genealogia e relações familiares

Ascendência
Odin, segundo Snorri
Irmãos
Os demais filhos de Odin
Vínculos conjugais
Idunn
Descendência
Não registrados
Posição na sucessão divina
Entre os Æsir, com posição honorífica ligada à palavra

O casamento com Idunn liga a poesia à juventude preservada, associação que a tradição escáldica explora em metáforas.

Na Lokasenna, Bragi tenta impedir a entrada de Loki no banquete e é acusado de ser valente apenas sentado à mesa, cena que a poesia usa para contrastar palavra e ação.

Símbolos e objetos associados

Símbolos

  • Harpa
  • Runas na língua
  • Taça de juramento

Objetos nomeados

  • Bragarfull — taça erguida nos banquetes para acompanhar juramentos solenes

Principais narrativas

  1. A recepção no salão

    Bragi acolhe os visitantes que chegam à morada dos deuses e responde às suas perguntas sobre a origem da poesia e das metáforas.

    Skáldskaparmál, 1

  2. A discussão com Loki

    Ao tentar barrar a entrada do provocador no banquete, Bragi oferece presentes para apaziguá-lo e recebe em troca a acusação de ser corajoso apenas entre os bancos.

    Lokasenna, estrofes 8-15

Culto e evidência histórica

Área de culto documentada
Culto não documentado
Janela de registro
poesia éddica e escáldica; sistematização no século XIII

Não há registro de culto. A discussão principal sobre Bragi é outra: existiu um poeta histórico chamado Bragi Boddason, ativo no século IX e considerado o mais antigo escaldo de nome conhecido. Parte dos estudiosos entende que a figura divina resulta da divinização desse poeta; outra parte sustenta que são independentes e que a coincidência vem do substantivo comum.

Fontes históricas

  • Edda em Prosa, Snorri Sturluson, Gylfaginning, 26; Skáldskaparmál, 1 Caracterização como patrono da poesia e narrador interno.
  • Lokasenna, estrofes 8-15 Única cena dramática preservada com a figura.
  • Grímnismál, estrofe 44 Menção entre os melhores em sua categoria.
  • Ragnarsdrápa, Bragi Boddason, fragmentos, século IX Obra do poeta histórico cujo nome coincide com o da divindade.

Cautelas de leitura

A relação entre o deus e o poeta histórico permanece indecidida, e apresentá-la como resolvida em qualquer direção é ir além do que as fontes permitem.