Religião nórdica pré-cristã
Balder
Baldr · Baldr
O luminoso cuja morte antecipa o fim do mundo
Filho de Odin e Frigg, descrito como o mais belo e benquisto dos deuses; sua morte é o acontecimento que desencadeia a sequência do Ragnarök.
- Luz e claridade
- Proteção e vigilância
- Destino
Domínios e funções
Balder não tem domínio funcional definido: sua importância é narrativa e estrutural. Snorri diz que nenhuma de suas decisões se cumpre, observação enigmática que talvez indique uma figura admirada mas sem poder efetivo.
O relato de sua morte é o mais elaborado da mitologia nórdica preservada, e organiza o material restante: tudo o que vem depois caminha para o Ragnarök, e tudo o que vem antes ganha, retrospectivamente, sentido de preparação.
Epítetos e nomes cultuais
- Inn hvíti áss — o deus branco
- Baldr inn góði — Balder o bom
Genealogia e relações familiares
- Ascendência
- Odin e Frigg
- Irmãos
- Thor, Höðr, Víðarr e Váli, por parte de pai
- Vínculos conjugais
- Nanna
- Descendência
- Forseti, associado à justiça e à conciliação
- Posição na sucessão divina
- Segunda geração dos Æsir; retorna após o Ragnarök
Nanna morre de dor no funeral e é queimada com ele no navio Hringhorni, único caso de morte conjugal por luto nas fontes.
Höðr, seu irmão cego, é o instrumento involuntário da morte. Odin gera Váli especificamente para vingá-lo, e o vingador mata Höðr com um dia de idade, sequência que os textos apresentam sem qualquer ambiguidade moral.
Símbolos e objetos associados
Símbolos
Objetos nomeados
- Hringhorni — seu navio, o maior de todos, usado como pira funerária
- Breiðablik — sua morada, onde, segundo o Grímnismál, nada de impuro pode existir
Principais narrativas
-
Os sonhos e a consulta à vidente
Atormentado por sonhos, Balder relata o mau agouro. Odin cavalga até o mundo dos mortos e desperta uma vidente, que lhe revela estar tudo preparado para receber o filho.
Baldrs draumar, estrofes 1-14
-
O jogo dos dardos
Tornado invulnerável pelos juramentos, Balder vira alvo de um jogo em que os deuses lançam objetos contra ele por diversão. O ramo de visco atinge e o mata.
Gylfaginning, 49
-
A recusa de uma única lágrima
Hel aceita devolvê-lo se tudo no mundo chorar por ele. Uma giganta chamada Þökk se recusa, e Balder permanece entre os mortos. A tradição identifica a giganta com Loki.
Gylfaginning, 49
-
O retorno
Depois do fim do mundo, a terra emerge de novo e Balder volta com Höðr para habitar os antigos salões, reconciliados.
Völuspá, estrofes 62-63
Culto e evidência histórica
- Área de culto documentada
- Culto pouco documentado; alguns topônimos noruegueses podem derivar do nome
- Janela de registro
- poesia éddica e escáldica; versão divergente na historiografia dinamarquesa do século XIII
A evidência de culto é escassa e contestada. A importância da figura repousa na narrativa, não em vestígios rituais amplos. A Húsdrápa, poema escáldico do século X, descreve o funeral, o que confirma a antiguidade do relato em relação às compilações do século XIII.
Fontes históricas
- Edda em Prosa, Snorri Sturluson, Gylfaginning, 22 e 49
- Baldrs draumar e Völuspá, Edda Poética
- Húsdrápa, Úlfr Uggason, fragmentos, século X
- Gesta Danorum, Saxo Grammaticus, livro III
Cautelas de leitura
As duas tradições sobre Balder são incompatíveis. Em Snorri, ele é a vítima inocente de uma trama; em Saxo Grammaticus, um semideus guerreiro que disputa uma mulher com um rival humano e perde. Apresentar apenas a primeira como "o mito de Balder" ignora metade da documentação medieval disponível.