Religião da Grécia antiga
Poseidon
Ποσειδῶν · Poseidôn
Senhor do mar, dos abalos da terra e dos cavalos
Divindade do mar e dos terremotos, com vínculo antigo aos cavalos e presença dominante nos registros micênicos.
- Mar e navegação
- Terremotos e abalos da terra
- Cavalos
- Soberania e realeza
Domínios e funções
A combinação de mar, cavalo e terremoto parece estranha a olhos modernos, mas é coerente em termos gregos: todos são forças de movimento incontrolável. Poseidon é invocado tanto por navegantes quanto por cidades sujeitas a abalos sísmicos, como Esparta e Hélice.
Nas tabuletas micênicas de Pilos, po-se-da-o recebe oferendas em volume superior às de qualquer outra divindade nomeada, o que sugere uma posição de destaque no II milênio a.C. bem maior do que a que ele ocupa na literatura posterior.
Epítetos e nomes cultuais
- Enosíchthon — sacudidor da terra
- Gaiḗochos — que sustenta a terra
- Híppios — dos cavalos
- Asphálios — que dá firmeza, invocado contra terremotos
- Pelágios — do alto-mar
Genealogia e relações familiares
- Ascendência
- Cronos e Reia
- Irmãos
- Héstia, Deméter, Hera, Hades e Zeus
- Vínculos conjugais
- Anfitrite, uma das Nereidas
- Descendência
- Tritão, Polifemo, Pégaso, Crisaor, Pélias, Neleu e, em uma das versões, Teseu
- Posição na sucessão divina
- Irmão mais velho de Zeus; recebe o mar na partilha do mundo
A Ilíada conserva a versão da partilha por sorteio entre os três irmãos: a Zeus coube o céu, a Hades o mundo subterrâneo, a Poseidon o mar cinzento, permanecendo a terra e o Olimpo como domínio comum. É com base nisso que ele reivindica igualdade de estatuto perante Zeus.
Sua descendência é notavelmente heterogênea, reunindo monstros, cavalos prodigiosos e fundadores de dinastias, o que reflete o alcance geográfico do culto pelas cidades costeiras.
Símbolos e objetos associados
Símbolos
Objetos nomeados
- Tridente — forjado pelos Ciclopes; abre fontes, parte rochedos e agita o mar
Animais associados
Principais narrativas
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A partilha dos três domínios
Poseidon recorda que o mundo foi dividido em três lotes entre ele, Zeus e Hades, e recusa a pretensão do irmão mais novo de lhe dar ordens.
Homero, Ilíada, canto XV, v. 184-199
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A disputa pela Ática
Poseidon faz brotar uma fonte de água salgada na Acrópole; Atena planta a oliveira. O tribunal divino decide a favor dela, e a cidade passa a chamar-se Atenas.
Apolodoro, Biblioteca, 3.14.1, e Heródoto, Histórias, 8.55
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A cólera contra Odisseu
Cegado o ciclope Polifemo, filho do deus, Odisseu passa a enfrentar a oposição de Poseidon, que prolonga seu retorno por anos.
Homero, Odisseia, cantos I, v. 68-79, e IX
Culto e evidência histórica
- Área de culto documentada
- Ístmo de Corinto, Sunião, Hélice, Onquesto, Pilos e cidades costeiras jônicas
- Janela de registro
- tabuletas micênicas do II milênio a.C. e textos do século VIII a.C. em diante
Os Jogos Ístmicos, realizados no santuário do Istmo de Corinto, estavam entre os quatro grandes certames pan-helênicos. O templo do cabo Sunião, ainda de pé, marcava a entrada marítima da Ática. A destruição de Hélice por um terremoto e maremoto em 373 a.C. foi lida pelos antigos como cólera do deus, segundo Pausânias.
Fontes históricas
- Ilíada, Homero, cantos XIII, XV e XXI
- Odisseia, Homero, cantos I, V e IX
- Descrição da Grécia, Pausânias, 2.1 e 7.24
- Tabuletas em Linear B de Pilos, série Tn e Es
Cautelas de leitura
Reduzir Poseidon a "deus do mar" apaga tanto a dimensão sísmica quanto a equestre, ambas centrais no culto. A documentação micênica sugere ainda que sua posição relativa no panteão mudou de forma significativa ao longo de mais de mil anos, algo que nenhuma descrição sintética consegue representar sem simplificar.