Religião da Grécia antiga
Ártemis
Ἄρτεμις · Ártemis
Senhora dos espaços não cultivados, da caça e das passagens da juventude
Divindade dos animais selvagens e das margens do mundo humano, ligada à transição das jovens à vida adulta e ao parto.
- Caça e vida selvagem
- Natureza selvagem
- Juventude e renovação
- Proteção e vigilância
Domínios e funções
Ártemis governa as margens: a floresta que cerca o campo cultivado, a idade que antecede o casamento, o momento do parto em que a vida pode virar morte. Seu domínio é sempre o limiar, e sua atuação costuma ser abrupta.
O culto de Brauron, na Ática, envolvia meninas que passavam um período no santuário antes de ingressar na vida adulta. Em Esparta, os ritos de Ártemis Órtia integravam o treinamento dos jovens e incluíam provas de resistência física documentadas por Pausânias.
Epítetos e nomes cultuais
- Pótnia Thērôn — senhora dos animais
- Agrotéra — a selvagem, a caçadora
- Orthía — epíteto do culto espartano
- Ephesía — a de Éfeso
- Locheía — a que assiste ao parto
Genealogia e relações familiares
- Ascendência
- Zeus e Leto
- Irmãos
- Apolo, seu gêmeo, e os demais filhos de Zeus
- Vínculos conjugais
- Nenhum; a virgindade é condição central do culto
- Descendência
- Nenhum
- Posição na sucessão divina
- Quarta geração divina; uma das doze divindades olímpicas
Age em par com Apolo em vários episódios, sobretudo na punição de Níobe, que se vangloriara de ter mais filhos que Leto: Apolo mata os rapazes, Ártemis as moças.
Suas companheiras são ninfas comprometidas com o mesmo estado virginal, e a quebra dessa condição, como no caso de Calisto, resulta em expulsão imediata do grupo.
Símbolos e objetos associados
Símbolos
Objetos nomeados
- Arco de prata — obtido, segundo Calímaco, junto aos Ciclopes ainda na infância
- Tocha — atributo dos aspectos noturnos e das procissões rituais
Animais associados
Principais narrativas
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Os dons pedidos ao pai
Ainda criança, Ártemis pede a Zeus virgindade perpétua, arco, matilha, ninfas por companhia e as montanhas por domínio. Todos os pedidos são concedidos.
Calímaco, Hino 3, a Ártemis, v. 1-40
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Actéon
O caçador surpreende a deusa no banho e é transformado em cervo, sendo despedaçado pelos próprios cães.
Apolodoro, Biblioteca, 3.4.4, e Ovídio, Metamorfoses, III
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Ifigênia em Áulis
A frota grega fica retida por falta de vento e o sacrifício da filha de Agamêmnon é exigido. Em algumas versões, Ártemis substitui a jovem por uma cerva no último instante.
Eurípides, Ifigênia em Áulis, e Ifigênia em Táuris, v. 1-41
Culto e evidência histórica
- Área de culto documentada
- Éfeso, Brauron, Esparta, Delos, Arcádia e grande parte do mundo grego rural
- Janela de registro
- atestação micênica do teônimo e textos do século VIII a.C. em diante
O Artemísio de Éfeso, listado entre as maravilhas do mundo antigo, abrigava uma imagem cultual que pouco se parece com a caçadora grega, sinal de fusão com tradições religiosas locais da Ásia Menor. Em Brauron, escavações revelaram milhares de oferendas ligadas a meninas e a partos. Pausânias descreve o rito espartano de Órtia no livro III.
Fontes históricas
- Hino 3, a Ártemis, Calímaco, texto integral
- Ilíada, Homero, canto XXI, v. 470-513
- Descrição da Grécia, Pausânias, 3.16 e 8.23
- Ifigênia em Táuris, Eurípides, v. 1-41 e 1435-1474
Cautelas de leitura
A associação entre Ártemis e a Lua é secundária: a divindade lunar grega é Selene, e a fusão se firma no período helenístico e romano. Também é preciso distinguir a caçadora grega da Ártemis de Éfeso, cuja iconografia e função derivam de tradições anatólicas anteriores ao contato grego.