Religião da Grécia antiga
Ares
Ἄρης · Árēs
Deus do combate como experiência de violência
Personificação do furor da batalha, tratado pela épica com ambivalência e culto público comparativamente restrito.
- Guerra e combate
- Fúria e violência do combate
Domínios e funções
A épica trata Ares com desconfiança explícita. Na Ilíada, Zeus lhe diz ser o mais odioso dos deuses do Olimpo, e ele é ferido por um mortal com auxílio de Atena. Isso não indica um deus menor, mas uma avaliação moral grega sobre aquilo que ele representa.
Fora da poesia, o culto tinha função concreta: juramentos militares em Atenas o invocavam ao lado de outras divindades, e em Esparta, cidade militarizada, recebia honras compatíveis com a importância do treino guerreiro.
Epítetos e nomes cultuais
- Enyálios — o guerreiro, por vezes divindade distinta
- Brotoloigós — ruína dos mortais
- Teichesiplḗtēs — o que assalta muralhas
- Míaiphonos — manchado de sangue
Genealogia e relações familiares
- Ascendência
- Zeus e Hera
- Irmãos
- Hebe, Ilítia, Hefesto, Atena, Apolo, Ártemis e Hermes, entre outros
- Vínculos conjugais
- Sem esposa; união célebre com Afrodite
- Descendência
- Deimos, Fobos, Harmonia, as Amazonas segundo algumas tradições, e Diomedes da Trácia
- Posição na sucessão divina
- Quarta geração divina; filho legítimo do casal soberano
A ligação com Afrodite gera Harmonia, cujo nome sugere a conciliação dos opostos que os pais representam. Dela descende a linhagem real de Tebas, o que dá ao episódio função genealógica.
Deimos e Fobos, o pavor e a fuga, acompanham o pai no campo de batalha. São menos personagens que aspectos personificados da experiência do combate.
Símbolos e objetos associados
Símbolos
Objetos nomeados
- Lança — arma característica na iconografia, geralmente com armadura completa
- Carro de guerra — conduzido por Deimos e Fobos nas descrições épicas
Animais associados
Principais narrativas
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Ferido por Diomedes
Com Atena guiando a lança do herói, Ares é atingido e recua ao Olimpo bramindo como dez mil homens. Zeus o repreende em vez de consolá-lo.
Homero, Ilíada, canto V, v. 846-909
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A rede de Hefesto
Surpreendidos por uma rede invisível forjada pelo marido de Afrodite, Ares e a deusa são expostos ao riso dos demais olímpicos.
Homero, Odisseia, canto VIII, v. 266-366
-
O julgamento no Areópago
Ares mata Halirrócio, filho de Poseidon, por violência contra sua filha, e é julgado pelos deuses na colina que passa a levar seu nome. É absolvido.
Apolodoro, Biblioteca, 3.14.2, e Pausânias, 1.28.5
Culto e evidência histórica
- Área de culto documentada
- Trácia segundo a tradição literária, além de Esparta, Tebas, Argos e Atenas
- Janela de registro
- atestação micênica do teônimo e textos do século VIII a.C. em diante
O templo de Ares na Ágora de Atenas foi transferido de Acarnes e remontado no local em época romana. Em Esparta, Pausânias menciona imagens cultuais associadas ao deus, incluindo uma representação acorrentada, interpretada na Antiguidade como garantia de que a força guerreira não abandonaria a cidade. A colina do Areópago, em Atenas, levava seu nome.
Fontes históricas
- Ilíada, Homero, canto V, v. 846-909 e 888-891
- Odisseia, Homero, canto VIII, v. 266-366
- Teogonia, Hesíodo, v. 921-923 e 933-937
- Descrição da Grécia, Pausânias, 1.8.4, 1.28.5 e 3.15.7
Cautelas de leitura
A imagem de deus universalmente detestado vem sobretudo de Homero e não descreve a prática religiosa. Por outro lado, também é exagero tratá-lo como divindade central: seus santuários são menos numerosos e menos ricos que os das principais figuras olímpicas. A identificação com o Marte romano é posterior e envolve um deus de perfil bastante diferente, ligado à fundação de Roma e à agricultura.